voltei a acreditar em coisas que não acreditava mais, criei dúvidas novas e novos modos. esqueci outras crenças e fui bagunçando tudo na maior rapidez com que consegui. não lembro mais como era antes: tento me esforçar para não lembrar e de repente parece que foi como um filme em que tudo é perfeito e o bandido morre no final. mas o filme não acabou ainda, não se sabe quem é o vilão e o roteiro ficou meio fraco ultimamente, como numa continuação fraca.
podia ser tudo perfeito, mas não é. podia ser tudo definitivo e cômodo, mas não. espero que seja dia claro e que meio dia o sol resolva bater na minha janela. lá fora é belo horizonte e aqui dentro é como um mundo à parte. um mundo que eu tento encher de objetos e deixar parecido comigo. belo horizonte que eu achava que conhecia e que me surpreende quando eu resolvo olhar de outra maneira. e os cantos daqui vão tomando outras histórias e trazendo memórias dessas épocas curtas que um dia eu vou esquecer. e eu achava que era definitivo, e eu achava que era dessa vez, e eu achava que nunca ia acabar ou que ia, mas não sabia de tantas coisas.
tudo mudou e depois tudo mudou de novo. não lembro como eu vim parar aqui. mas vim. eu posso lembrar de fatos, de pessoas, de trechos de conversas. mas o tempo distorce minha memória. será que você realmente passou pela porta com aquele rosto triste no último dia?
a minha memória vai contra mim. e eu faço questão de não esquecer nada. deixo tudo muito claro, além do que fica rondando os pensamentos em ciclos, em bilhetes, cartas, anotações, listas de coisas para não esquecer. penso no momento fantástico que alguém resolveu, sem censura, abrir o diário secreto e espalhar por ai que somos todos iguais. discretamente diferentes.
vivo com pressa. vivo como se tudo fosse acabar amanhã. sofro como se tudo fosse acabar amanhã. e quanto mais eu tento não esperar, mais eu espero. vivia carregando o passado e planejando o futuro. não mais. não assim. e nada é imediato.
fevereiro 04, 2008
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